Muitos manifestaram sua desconfiança a respeito da legitimidade do suposto Twitter do William Bonner. Confesso que não seguia o homem. Pensava que era algum daqueles fakes pornográficos que inunda a rede social, uma vez que boner em inglês significa ereção. Então, simplesmente associei a conta a algum desses anúncios de aumento peniano.
Chovem mensagens como “se esse é o apresentador do Jornal Nacional, então eu sou o Napoleão”. O jornalista Antonio Tabet, o cérebro por trás do site kibeloco, afirmou de forma bem humorada, “a migração de talentos da internet para a TV é irreversível. Aquele mala do Twitter, por exemplo, já tá apresentando o JN”. Isso ocorre porque as pessoas costumam relacionar a seriedade do âncora, sobretudo sua sobriedade, sua personalidade e não a uma postura necessária ao veiculo.
Os outros telejornais da emissora também contribuem para essa imagem, pois Jornal Hoje e Bom Dia Brasil apresentam linhas mais leves que favorecem a descontração. Âncoras como Sandra Annenberg e Renato Machado estão a todo tempo rindo, fazendo piadas, comentários ou falando de sua vida pessoal, quando relacionados às matérias. Algo que não ocorre no Jornal Nacional, devido a sua postura editorial.
Um dos grandes atrativos de seguir o apresentador é a já famosa, “interativa fashion”. Momento no qual Bonner deixa que os usuários do twitter decidam qual gravata ele deve usar. A rede também propicia a formação de uma verdadeira ligação afetiva com os fãs. “Só pra relembrar, aos distraídos, que vocês merecem uma sexta-feira deliciosa. Porque vocês [são] SHOW! Vamos dormir, criançada”. Outro caso clássico dessa reciprocidade é o apelido que o Bonner ganhou de seus seguidores, “tio”, o qual ele fez questão de adotar. “Aí eu estava sobrevoando a área resolvi dar uma espiada. Tá tudo bem com vocês, né? O tio @realwbonner tá ocupadaço”.
O Twitter é uma chance de aproximar o mundo das celebridades e dos famosos em geral da população. Existe uma curiosidade natural das pessoas a respeito não só dos projetos, mas também sobre os anseios, preferências e personalidade de seus ídolos.
E as postagens no site, ajudam a ver que aquela figura da TV é tão normal quanto qualquer outra. “Se eu já tiver dito que odeio quinta-feira, por favor, desculpem a repetição, OK? Mas é que eu odeio quinta-feira”.
Se o pensador Erving Goffman estivesse vivo (e usasse a internet), ele diria, “o @realwbonner é o verdadeiro, fake é aquele que você vê na TV”.
PS: a foto que ilustra essa postagem foi tirada pelo próprio e colocada na rede social
Vocabulário cibernético:
Fake – perfil falso em alguma rede social

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